Após cumprir todas as provações com imenso louvor, Dona Marina parte para a verdadeira vida. Apesar de todos já estarem preparados para o final, quando realmente o fim chega é que percebemos o quanto amamos uma pessoa ou o quanto esta pessoa vai nos fazer falta.
Segurei o choro até onde pude, mas despenquei quando vi minha mãe chegando ao velório. Entre tantas coisas que Dona Marina ensinou a tudo e a todos, pelo exemplo e vivência, pude perceber somente naquele momento que a maior delas era ter me ensinado a amar minha mãe. Quanto que eu iria sofrer se fosse minha mãe lá deitada, pensando em tudo que poderia ter feito ou dito e não tive coragem de fazer ou dizer.
O choro era de completa emoção e devoção ao corpo ali exposto que descansava em paz, despido das dores e sofrimento causados pela doença que a acompanhou em terra durante vários anos e que por vezes fingia não estar presente para dar fôlego ao nobre caminho a ser percorrido.
Eu chorava, olhava para aquela face serena e lembrava quando ela dizia “que era inteligente, mas só não teve oportunidade”, ou então, quando falava “que tudo que ela fazia ficava gostoso”, após receber um elogio meu pelos pratos deliciosos que cozinhava com imenso prazer, delicadeza e cuidado.
Dona Marina fez escola na terra, sua vida foi pura oportunidade de crescimento espiritual. Sua resignação perante aos percalços causados pelo câncer serviu de exemplo para muitas pessoas que passavam pelo mesmo problema, sua fé rompeu barreiras, deu-lhe sobrevida, serviu de preparação para toda família.
Crendo na doutrina espírita não duvido que ela também tenha servido de exemplo para outros desencarnados que sofreram pelo mesmo mal, mas, no entanto não tiveram a mesma fé, perseverança e resignação.
É muito complicado explicar o que é a morte para uma criança de 5 anos, ainda mais porque minha filha era extremamente ligada à avó. Dissemos que a avó estava doente (isso não era novidade, minha filha chegou a conviver com a avó nas fases difíceis da doença onde era necessário trocar fraldas e dar banho) e que agora ela tinha virado uma estrela e para minha filha a estrela mais bonita que existe no céu.
E assim Dona Marina foi, deixando-nos o exemplo de força e superação.
Devolvemos a Deus a jóia que Ele nos emprestou.
Até breve Dona Marina!
É interessante ressaltar que muitos conheceram seu verdadeiro nome em sua despedida. Augusta Maria Luca Dominguez o nome que ela mesma só descobriu depois de aprender a ler, pois todos a chamavam de Marina, nome que deveria ser seu se não fosse um erro no registro.
(Palavras de minha filha que pediu para escrever)
A vovó Nina virou uma linda estrelinha no céu e eu e a mamãe choramos em casa.
Todo dia quando olho para o céu fico com saudade da vovó Nina, mas meu pai disse que “Saudade Sim, Tristeza Não”.
Ela pediu para eu escrever que ela prestou bastante atenção no banho quando conversamos sobre este assunto e eu desenhei uma estrela bonita na janela do banheiro.
Não há o que comentar diante de tudo isso que lemos e sentimos. Nos sensibilizamos por várias vezes ao vê-la naquele estado.Ela foi uma guerreira, lutou até o final. Um dia me disse que sentia muito, pois não veria suas netas crescerem e me pediu para eu ser uma avó em dobro. Choramos juntas e eu lhe prometi que daria o melhor de mim.
ResponderExcluirDescanse em paz "minha amiguinha".
Me emocionei muito com esta linda homenagem! Mas fico feliz em saber que um dia estaremos novamente juntos com as pessoas que amamos e que já se foram! Obrigada por este post Ro! Beijão!
ResponderExcluirLindo demais, Rodrigo.
ResponderExcluirParabéns!
Um abraço
Ana Paula
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirQuem escreveu é a mamãe da Beatriz.....
ResponderExcluirRodrigo pedralvense. Quanta arrogância, só porque tem gosto musical impecável e escreve bem demais.... Me perdoe, mas vc só não nasceu mineiro porque tinha a missão de nos trazer as suas 3 menininhas.... Brincadeiras a parte, menino vc é brilhante! No que escreve, nas suas atitudes generosas, na sua prontidão em ajudar quem quer que seja....Passear pelo seu blog é se emocionar!
ResponderExcluirE quando leio o que sua mãe escreveu, consigo entender de onde vem sua beleza...
Amamos vocês!
Rogerio, Teísa, Marina e Beatriz