Às vezes sinto falta
dos momentos que tivemos
dos segredos que trocamos
daquilo que sonhamos
sinto falta do que nunca tive
das lembranças do que não fiz
dos sorrisos que não dei
sinto falta
sinto falta das conversas sinceras
das mentiras mais belas
de romances de novela
sinto falta
dos domingos na capela
de olhar pela janela
lembrando os olhos dela
sinto falta
do tempo que não volta
da volta na lagoa
do ócio, a toa
sinto falta
dos tempos da escola
dos amigos passageiros
da pipa, do bafo, da bola
sinto falta
da família reunida
dos sorrisos soltos
dos meus cabelos longos
sinto falta
daquilo que me sobra
do doce de abóbora
da fogueira na rua
das peladas sem chinelo
sinto falta
do gol a gol no corredor
da janela do vizinho
da bola perdida
sinto falta
das prendas e merendas
castigos e recompensas
do coral, da música, da verdade
sinto falta
da caridade espontânea
da gratidão simultânea
do por favor e obrigado
sinto falta
do bom dia ao vizinho
lego lego e dos carrinhos
lango lango e de carinho
sinto falta
do meu pai com minhã mãe
das asas de proteção
das batidas do coração
sinto falta
das histórias sem final
das rodadas de mau mau
das de tranca lá na Nilce
sinto falta, sinto falta
são momentos que passei
me formaram o que sou
felicidade não se mede
não se compara, não se compra
vivo hoje mais momentos
os quais me faltarão amanhã
vivo compondo lembranças
das vontades e sentimentos
vivo vivendo vívido
opaco, sem luz, sem brilho
Mato em mim o eu que me formou
Sobra em mim o breu que transformou
Falta eu em mim que sou
Que sou
Quem sou
Eu?
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