quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Tocando a vida

Se não me sobre a memória
Desta falta de recordação
Continuo o mesmo de nunca
Tendo a voz no coração

Ouvidos ouvintes outono
Em primavera estação
Inverno-me por dentro
Em busca de mais verão

Vendo concisa paisagem
Consigo pairar...
Em brisa me faço miragem
Cinzas de brasa no ar

Longe vai como o horizonte
Mantenho a fé enquanto vale
Agradeço quando em monte
Sendo rio de longo curso
Não esqueço a minha fonte

Em oitavas notas altas
Surgem hinos, soam sóis
Escala pentatônica
Sustenidos e bemóis

Percorrendo superfícies
Percebo a vida me levando
Por planaltos e planícies
Vez sem rumo, sigo orando

Sou assim um tanto estranho
Busco a paz como bandeira
Perco o foco, pouco sonho
Solto o freio na ladeira

Frio que sua até que esquenta
Sangue ferve em poucas veias
Meio louco quem aguenta?

Quero ter em minhas teias
O que quero em vida minha
Penso muito, peço pouco
Ah saudade reprimida!

Nenhum comentário:

Postar um comentário